quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Los Angeles, de Marian Keyes


Se você fosse uma comida, qual seria?

“Tudo bem, eu sabia que jamais poderia ser descrita como, digamos um after eight (‘fino e sofisticado’), nem como uma bolacha de gengibre e nozes (‘dura, mas interessante’). Também não via nada de errado em ser uma torta inglesa (‘recheada de mistérios’). Em vez disso, eu era a coisa mais idiota e mais sem sabor que alguém podia imaginar – iogurte natural à temperatura ambiente -.” Essa é Margaret, ou melhor, Maggie, personagem de Los Angeles, sexto romance de Marian Keyes. Tida por todos de sua família como a filha mais certinha e perfeita, ninguém nunca poderia imaginar que algo de extraordinário ou fora da linha fosse acontecer na vida dessa mulher até que... Ela perde o emprego, abandona o marido e parte para a agitada Los Angeles. É nessa cidade tão procurada por quem sonha em ser uma estrela de cinema que Maggie vai tentar se descobrir e se entender. Será ela apenas um mero iogurte à temperatura ambiente?
O romance de Keyes é aparentemente truncado no início. Não que nada aconteça, pelo contrário. Mas é como se existisse algo de errado, as coisas não fluem. Contudo, isso não poderia ser diferente afinal, Maggie está em meio a um furacão, tudo a sua volta está de pernas para o ar: foi demitida de um emprego do qual nunca saiu da experiência; o simples desejo de comer trufas fez com que descobrisse que Garv, seu marido, tinha outra; e por fim, mas não menos trágico, se viu obrigada a voltar para a casa dos pais. Realmente, não se pode dizer que a vida dela está fluindo com a maior leveza do mundo.
Com o virar das páginas o já famoso humor da autora desponta e a obra ganha dinamismo. A cada Martini tomado com as amigas, descobertas amorosas (sejam essas do passado ou do presente) e lágrimas, muitas lágrimas, o leitor se apaixona mais e mais pela personagem de Keyes e se torna capaz de dizer se ela é ou não um simples iogurte.
Los Angeles é como aquele tipo de pessoa para qual, à primeira vista, não se dá muita confiança, mas que com o passar do tempo se mostra um alguém digno de ser um grande amigo, daquele que ri e chora com você.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

  Olá, pessoal!
  Só para avisar que a próxima resenha será sobre o livro Los Angeles, de Marian Keyes, que estou terminando de ler. E que em breve teremos um especial Lewis Carroll!
   


  Aguardem!

Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins


   Passar um ano de sua vida estudando em Paris não era exatamente o  que desejava a personagem de Anna e o Beijo Francês, romance de Stephanie Perkins. Na verdade, sair de sua casa, do seu país, no exato momento em que tudo parecia perfeito não estava realmente em seus planos...  Anna tinha ao seu lado sua melhor amiga, um emprego do qual gostava e um namoro prestes a acontecer. Mas seu pai, um escritor de best sellers de mau gosto, havia decidido: Ir para a Cidade Luz era o melhor para ela e nada o faria mudar de ideia. Assim, lá se foi Anna em um voo direto rumo ao encontro de uma nova cultura e, é claro, de um novo amor. Afinal, ela está em Paris! Um dos lugares mais românticos do  mundo. Porém, o novo amor, Étienne St. Clair tem namorada. E agora?
   As primeiras páginas do livro de Perkins não são muito animadoras. Falta um pouco daquele encanto capaz de prender o leitor desde a primeira palavra. As coisas demoram a acontecer e a sincronia entre o jeito da narrativa e a leitura não se dão de imediato. Mas se o leitor tiver um pouco de paciência será recompensado .
   Em Anna e o Beijo Francês pode-se caminhar pelas ruas de Paris, e por vezes, se pegar sonhando em, de fato, conhecer os lugares descritos, ao mesmo tempo em que compartilha com Anna as angústias e felicidades do seu amor proibido. Amor que aliás dá à obra  algumas páginas capazes de fazer o coração acelerar...
  O romance pode não começar com o pé direito, mas com o decorrer da história o leitor é fisgado e após o meio do livro já não consegue mais parar de ler.